Um pouco da história de Cascatinha, texto de Marcos Baccherini

INESQUECÍVEL ...!

Foi com a chegada dos imigrantes italianos ao final do século XIX e início do XX que a pequena comunidade começou a experimentar um forte crescimento.

Muitos optaram por Petrópolis diante do clima mais frio e mais parecido com o país de origem . Foram diversas famílias a chegar e dotados de mão-de-obra qualificada foram encaminhados para a grande indústria do ramo têxtil então recém inaugurada, Companhia Petropolitana.

Vanzan, Pizzi, Bonsaver, Pellegrini, Ciambelli, Tucchi, Baccherini, Naliato, Manzani, Riggo, Sandri, Ditadi, Paoni, Volpato, Giarola, Marchi, Zechinelli, Biasi, Depoli, Quadrio, Massambani, Toraldo, Maccacchero, Benvenutti, Armani, Borsatto, Zanei, e tantas outras famílias juntaram-se às nativas como Vieira Christo, Taboada, Monteiro Luiz, Veiga, Santos, Fernandes, Silva, Weinchutz, Mendes, Miranda, Bretz, Guimarães, Teixeira, Silveira, Carneiro, Andrade, Paulino, Souza, Burguer, Ferreira, Schmidt, Salomão e muitas outras, e o bairro passou a ter forma diante de persistente trabalho.

Os trabalhadores da Cia. Petropolitana ocupavam as vilas de casas de propriedade da empresa, todas simples mas confortáveis, com quintal onde se criavam animais domésticos, aves, cabras, coelhos, suínos e onde se plantava o suficiente para abastecer suas casas com fartura.

Tudo gravitava no seu entorno, clubes, comércio, cinema, Jornal de Cascatinha, estação ferroviária, chegando a ter três turnos diários de oito horas com mais de 2.000 funcionários. Comunidade pacífica de trabalhadores a convivência de longo tempo teceu amizades duradouras, respeito e laços indissociáveis que até hoje perduram entre os filhos, netos e bisnetos daquelas pessoas admiráveis pela força de trabalho, inteligência, criatividade e cultura autodidata.

A “tarantella”, muitas das vezes era presente nas festas de noivados, casamento, ou bastasse a existência de motivo qualquer.

O cheiro do pão no forno e que saía religiosamente às 15:00 horas da Padaria Naliato dos senhores Luiz Manzani e Antônio José Naliato percorria distâncias e despertava a vontade irrefreável do consumo acompanhado do delicioso café e bolo de milho.

Os caramelos de côco com leite condensado e leite preparadas com esmerada e irrevelada técnica pelo senhor Luiggi Biazzi Baccherini que chamávamos de “beijo”, puxa-puxa por sua incrível elasticidade eram disputadas, se necessário, até em duelos... !

O que dizer do delicioso aroma das macarronadas, inhoques, talharins, raviólis e carne assada sendo preparadas para os solenes almoços dos domingos ?

E das peças de teatro encenadas no palco do Bogari com Domenico, Luiggi, Casemiro, Norberto e Seraphin, muitas das vezes contracenando com Procópio Ferreira ou Abel Pêra, pais das famosas atrizes Bibi Ferreira e Marília Pêra ?

Tristemente diante da realidade da impermanência das coisas deste mundo, por motivos dos mais diferenciados a Cia. Petropolitana foi perdendo vigor ao longo do tempo culminando por fechar as portas.

Mas, fomos felizes naquele vale tão bonito à época preservado ao lado de uma bonita “floresta” de eucaliptos, fosse com a presença nos bailes, festas e rotineiros banquetes, com o olhar sempre voltado para as moças lindas, nos “bate-papos” que perduravam até altas horas em frente a barbearia, as “peladas” da madrugada no parque defronte a bela igreja de Sant`Ana e São Joaquim, com os encontros no “buffet” localizado no porão do Bogari Clube onde os “carcamanos” se ocupavam do carteado em mesas redondas cobertas por espesso veludo verde e entre nuvens de fumaça dos seus cachimbos e charutos e os mais jovens na mais completa e saudável bagunça ( se é que isto é possível ), tudo sob o olhar atento e por vezes irritadiço do saudoso senhor Oswaldo (o banha).

Deixou marcas profundas e a geração remanescente que vivenciou essa época se reúne uma vez por semana para recordar com alegria uma vida indizivelmente bonita, saudável e amistosa.

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Tel:  (24) 2242-1558

End : Rua Washington Luiz, 391

Petrópolis - Brasil

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