Petrópolis trabalha para implantar projeto de detecção de câncer de mama por cão farejador

03/12/2018

Petrópolis está trabalhando para implantar um projeto inovador que usa um cão farejador para detectar o câncer de mama de forma ainda mais rápida e num estágio ainda mais inicial do que os exames atuais – o que pode ser ainda mais decisivo para a cura. O prefeito Bernardo Rossi foi apresentado a um projeto que já é realizado na França e que está sendo trazido para o país em uma parceria entre o “Institut Curie”, um centro anticanceroso de Paris, e a Sociedade Franco Brasileira de Oncologia (SFBO). A prefeitura já está atuando para viabilizar a realização do trabalho.

Descobrir o câncer de mama hoje em dia é possível por três caminhos. O primeiro deles é o autoexame, quando a mulher toca a mama para identificar eventuais mudanças no seio. Também é possível encontrar a existência de lesões ou secreções com um exame clínico feito por um mastologista ou ginecologista. Nesses dois casos, ao detectar algum nódulo, o tumor já está em estágio mais avançado. Por fim, há a mamografia, um exame radiológico capaz de identificar nódulos ou calcificações que podem ser lesões benignas ou o próprio câncer. Agora, a intenção é usar a capacidade olfativa do cão, para que ele consiga detectar as células cancerígenas através do odor que elas exalam – que é diferente das células saudáveis.

No início de novembro, uma comitiva brasileira passou 12 dias conhecendo os estudos feitos pelo Institut Curie na França. O trabalho foi visto de perto pelo cinotécnico Leandro Lopes (responsável pelo canil da Guarda Civil), pela oncologista Carla Ismael (sócia do Centro de Terapia Oncológica e presidente da SFBO), pelo oncologista Christian Domenge (vice-presidente da SFBO) e por Roberta Lopes, que se tornou coordenadora administrativa do projeto no Brasil. Agora, o prefeito Bernardo Rossi vai viabilizar o espaço onde um cão será preparado para o serviço. Esse cachorro já foi escolhido: é um pastor holandês de oito meses chamado Black.

 

Como é feita a detecção do câncer por cão farejador

Na França, o projeto “Kdog” é realizado pela doutora em ciências, Isabelle Fromantin, e por Pierre Bauer, chefe do projeto e ligado ao Institut Curie. Ele foi criado em 2016. Durante a visita dos brasileiros,eles acompanharam um dos treinamentos, em que os três cães preparados para a detecção do câncer de mama foram submetidos a 44 testes. Todos os resultados estavam corretos.

“As células com câncer produzem um odor que é diferente de uma célula saudável. E o cão tem uma capacidade olfativa muitas vezes maior que a do humano. Por isso, ele consegue identificar o câncer até mesmo em estágios ainda mais iniciais antes mesmo do que qualquer outro exame”, explica Roberta Lopes.

“Para esse exame, a paciente faz um procedimento muito simples para coletar uma amostra. Não há contato direto do cão com a paciente em nenhum momento. A paciente coloca uma gaze sobre as mamas durante algumas horas. E é com essa gaze que o cão faz a detecção”, completa Leandro Lopes.

O cão escolhido para esse trabalho já passa por treinamento em fases iniciais para o mecanismo de detecção. Agora, o próximo passo é ensinar a identificar especificamente o odor de células cancerígenas.

Os cães podem detectar doses muito baixas de odores liberados pelas células cancerosas através da pele e colhidas em um simples pedaço de tecido. Depois que o cão é treinado, ele pode detectar tantos cânceres quanto necessário em um estágio muito inicial por um preço muito baixo”. Para ele, esse método traz como grande vantagem a possibilidade de ser usado tanto em países desenvolvidos quantos nos mais pobres.

 

 

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