Casa por onde passou autor do Pequeno Príncipe tem atraído turistas até de fora do país


Marcel Reine, piloto de uma famosa companhia de correio aéreo - Latécoère Airlines (futura Aéropostale) - que costumava vir para Petrópolis para descansar entre um vôo e outro e trazia com ele seus colegas de trabalho, entre eles o mais famoso: Antoine de Saint-Exupéry, autor do livro O Pequeno Príncipe, uma das obras literárias mais traduzidas em todo o mundo.

Hoje, aos 70 anos, José Augusto Wanderley, administrador, publicitário e jornalista aposentado, depois de ter ouvido todas as histórias da redondeza e reunido pesquisas com as trajetórias dos pilotos franceses da Aéropostale e, principalmente, de Saint-Exupéry, é um apaixonado pela casa. Saiu do Rio de Janeiro, onde morava, e agora cuida de perto da residência famosa. Como ele mesmo se intitula, é o contador dessa história que por anos ficou esquecida. Há dois anos, ele abriu a casa para visitação e hoje, pessoalmente, recebe turistas de todo país e até estrangeiros. Neste Carnaval, por exemplo, italianos que passavam o feriado em Petrópolis aproveitaram para conhecer a curiosa casa que guarda um acervo de O Pequeno Príncipe e de toda história que cerca o seu autor.

“Eu gosto de receber as pessoas e ver o brilho no olhar delas quando escutam as histórias. Faço questão de exaltar sempre Petrópolis, principalmente, para as crianças. Mostrando o privilégio que é morar aqui, nesta cidade por onde passaram tantas pessoas importantes. A história da cidade está entrelaçada à história de tantas personalidades ilustres, como Antoine de Saint-Exupéry. Li o Pequeno Príncipe quando criança e li diversas outras vezes depois, cada vez que você lê você tem uma mensagem diferente”, explica José Augusto, que também é um fã do autor. “Ele tem vários livros, não só o que ficou mais famoso. Suas frases eram sempre voltadas para valores. Ele não enxergava o preço das coisas, via sempre a beleza da vida”, destaca.

Quem faz o passeio até a casa não é tratado como um turista de museu e sim um convidado. Toda história que rodeia o imóvel é contada carinhosamente por José Augusto, com as palavras de um apaixonado. Ele mostra cada cantinho do imóvel e os objetos nele, muitos com a imagem de personagens de O Pequeno Príncipe.

A casa mantém o nome dado por Marcel Reine: “La Grande Vallée”, uma homenagem à sua terra natal. E preserva traços daquele tempo, como o piso e o teto. Simples, com apenas um quarto, a casa foi sede de uma fazenda. Ao comprá-la, em 1934, Marcel Reine recebe autorização da Latécoère Airlines para descansar em Petrópolis durante as pausas nas entregas do serviço de correio aéreo. Não há fotos que comprovem a presença do autor de O Pequeno Príncipe na cidade, mas os relatos de um jornalista que acompanhava o grupo de pilotos e dos moradores do bairro servem como base para a afirmação de que ele ficou, por diversas vezes, hospedado na casa do amigo e colega de trabalho.

Há ainda quem jure de pé juntos que algumas inspirações para o livro vieram de Petrópolis. Que, ao desenhar a jibóia que engoliu o elefante, Saint-Exupéry teria se inspirado na Pedra do Elefante, no Taquaril. A pedra pode ser vista no caminho para chegar à “La Grande Vallée”.

Para Petrópolis, a casa é mais um atrativo para os turistas e também para os petropolitanos curiosos com essa parte da história da aviação e da vida do autor de O Pequeno Príncipe. Segundo o secretário da Turispetro, Marcelo Valente, a cidade guarda ricas histórias, de diversas personalidades, e só tem a ganhar com esse tipo de visitação. “Temos um patrimônio histórico-cultural incrível no município. Mesmo sendo um imóvel particular, precisamos incentivar e fomentar essas iniciativas. A casa entrou no nosso site oficial e está na nossa rota turística. Desde então vem recebendo turistas de diversos lugares do Brasil e do mundo”, destaca Valente.


Tel:  (24) 2242-1558

End : Rua Washington Luiz, 391

Petrópolis - Brasil

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