Petrópolis, a capital brasileira do Mountain Bike -Henrique Avancini postou nas redes sociais este d


O principal atleta do esporte no país, Henrique Avancini, que traz atletas do mundo para treinar em nossas trilhas, postou no Facebook este depoimento sobre uma das "etapas" do treinamento: "Existe uma expressão em inglês para aqueles momentos de exaustão que você não vai esquecer tão cedo...É quando você cruza com o "Man with the hammer", algo como o "cara da marreta". O que isso quer dizer? Se você já pedala por mais tempo com certeza vocês já se viram, em situações variadas... E não tem essa se você é iniciante, atleta experiente ou até campeão mundial. Eventualmente o cara da marreta te acha! Em 20 anos de biker já tive algumas conversas com ele...uma longa lista na verdade. Pra começar com 8-9 anos de idade, lembro de um dos meus primeiros pedais de domingo com a galera. O cara da marreta não tem consideração com sua idade... Chegou e falou: "Garotinho, isso aqui não é pique e pega. Vou te mostrar uma coisa. Toma!" Voltei pra casa rebocado... O Cara da Marreta não respeita sua força de vontade nos treinos... Em treinos é mais fácil ainda acontecer. Eu nem consigo lembrar quantas vezes já tive esse encontro marcante, mas foram MUITAS. Uma vez estava fazendo um treino de volume com alta montanha...Algo como 6h de pedal com 4.000m de ascensão acumulada... Um calor típico de verão. Até que deu umas 5 horas da tarde, o céu ficou negro e eu ainda tinha uma serra longa pra subir e uma serra longa pra descer. De repente botei a mão o bolso e vi que o cálculo de suplementos não foi muito eficiente. Aquela chuva engrossou, foi ficando frio e começou a chover granizo...A estrada estava deserta, não tinha nenhum barzinho ou casa pra pedir ajuda ou abrigo. Essa eu passei aperto. No meio da serra, o Cara da Marreta estava naquele topete mais íngreme. "E aí campeão...Achou que era o He-Man!? Achou que não precisava parar naquele barzinho e comprar 2 reais de paçoca!? Então TOMA!" Lembro que eu fiquei tão "vazio", que eu andava cerca de 500m e parava pra descansar e respirar até o corpo voltar a funcionar. Cheguei no topo e pra descer foi pior do que subir. Não aguentava segurar a bike e entrava na contra mão toda hora...Hoje dou risada, mas essa martelada foi cruel! No pé da serra, parei num mercadinho, entrei que nem bicho, sentei no chão, abri um pacote de salgadinho e uma latinha de refrigerante e fiquei comendo dentro do mercado. Me perguntaram se eu estava bem e eu só acenava com a cabeça...Situação tensa..Depois consegui chegar em casa daquele jeito, já de noite. Fiquei mais uns 15 minutos deitado na porta até conseguir entrar. Mas o cara da marreta não fica só em lugares isolados. Na verdade, ele gosta muto de dar as caras em competições. Como a Brasil Ride está chegando, lembrei hoje de uma ocasião por lá (e é por isso que escrevi esse post). Foi em 2013, ano que eu venci a classificação geral com o Sherman Trezza. Na segunda etapa - aquela do Vietnã - não começamos bem e perdemos o pelotão na primeira metade. No Vietnã começamos a ganhar posições (principalmente de caras que tiveram um encontro com o cara da marreta). Quando passamos o último ponto de apoio, eu estava me sentindo bem e nós tínhamos algumas duplas muito próximas... Nesse dia, nós passávamos um longo trecho de falso plano até chegar na última subida que era dura e muito quente. Começamos a passar os caras de passagem...Quando entramos na subida vimos algumas duplas no visual e já comecei a escalda cheio de vontade. Depois de algumas curvas, veio aquele breve momento em que você sente o corpo meio bamboleando... E aquele voz interna que fala..."hum, fiz merda". Na próxima curva, quem está lá!? Ele mesmo, o cara da marreta! "E aí rapaz. Achou que ia ganhar uma prova de sete dias na última subida? Achou que não precisava de mais uma batata no ponto de apoio? Não quis dar uma economizado pro próximo dia? Então Toooma..." Essa bateu tanto na veia que minhas últimas palavras foram: "She, quebrei.." No final da serra ele teve que me empurrar pra eu conseguir chegar. No dia seguinte venci o XCO individual, depois ganhamos mais uma etapa, assumimos a camisa de líder e fomos os únicos brasileiros a vencer a prova na classificação geral (até hoje). Mas acredite, a memória mais marcante no Brasil Ride 2013 foi o encontro com o cara da marreta! Brincadeiras a parte, esses momentos nos fazem aprender muito esportivamente e a refletir muito sobre a vida de uma forma geral. De qualquer maneira, sempre bom estar atento e ser prudente em competições e treinos. Se você é biker e ainda não encontrou com o cara da marreta, fique tranquilo! Ele só está te dando um tempinho, mas ele vai te achar. Obs: Alguns sintomas pós encontro com o cara da marreta: - Capacete deixa de pesar 200g e ganha lastro de 2kg. - A coroa ganha 10 dentes. - Os dentes e a "beiça" ficam dormentes. - Pensamentos na mãe. - Pensamentos na sua família. - Pensamentos no seu cachorro. - Você começa a torcer para achar um barzinho aberto e para ter 2 reais no bolso. - O seu maior desejo é que um conhecido seu passe por ali de pick-up - Olhar de doidão. - Passos de no máximo 15 centímetros. ...E outros...hahaha Se você já teve sintomas diferentes, conta ai."


Tel:  (24) 2242-1558

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